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OS NATIVOS
"Em
toda esta província
há muitas nações de diferentes línguas,
porém uma é principal que compreende algumas dez
nações de índios: estes vivem na costa do
mar e em uma grande corda do sertão, porém são
todos estes de uma só língua (...) os primeiros
desta língua se chamam Potiguaras, senhores da Paraíba,
30 léguas de Pernambuco, senhores do melhor pau do Brasil
e grandes amigos dos Franceses, e com eles contrataram até agora,
casando com eles suas filhas; mas agora na era de 84 foi a Paraíba
tomada por Diogo Flores, General de Sua Majestade, botando os
Franceses fora, e deixou um forte com cem soldados, afora os
portugueses, que também têm seu Capitão e
Governador Frutuoso Barbosa (...). Perto destes vivia grande
multidão de gentio que chamavam "Viatã",
destes já não há nenhun, porque sendo eles
amigos dos Potiguaras e parentes, os portugueses os fizeram entre
si inimigos, dando-lhos a comer, para que desta maneira lhes
pudesse fazer guerra e tê-los por escravos (...) e os cativaram
e mandaram barcos cheios a vender a outras capitanias." -
- -
(extraído
do texto "Tratados
da terra e gente do Brasil, p201-202", escrito entre 1583
e 1601 pelo Padre Jesuíta Fernão Cardim nos anos
seguintes à sua chegada ao Brasil, quando desempenhou o
cargo de secretário do Padre Visitador Cristóvão
de Gouveia).
Os índios potiguaras (potiguar/pitiguar,
na língua tupi pode ser traduzido como comedor
de camarão)
eram os primitivos habitantes do litoral da Paraíba na época
do descobrimento do Brasil. Viviam desde
o delta do
Rio Paraíba[1] até a
Baía da Traição
e terras para leste subindo o rio Mamanguape até a
Serra do Copaoba (região
dos atuais municípios de Caiçara, Belém,
Serra da Raiz e Pirpirituba) e parte do vizinho estado do Rio
Grande
do
Norte.
Eram guerreiros
muito
ferozes que mantinham o hábito de, após as batalhas,
assar e comer os inimigos capturados, o que aterrorizou sobremaneira
os portugueses. Conviviam
bem com franceses e holandeses que aportavam a costa paraibana
porque esses mantinham apenas uma relação mercantilista.
Ao contrário, odiavam os portugueses porque a produção
do açúcar no nordeste (principal fonte econômica
da colônia) exigia muita mão de obra escrava. Então
os portugueses aprisionavam indígenas para suprir a falta
de escravos. Resistiram
bravamente durante mais de uma década às forças
portuguesas para a fundação da cidade. Após
a derrota para a aliança entre portugueses e tabajaras eles
foram quase exterminados por sucessivos ataques de varíola,
a partir de 1597, quando, gradualmente, se retiraram
para o Ceará e
interior do Maranhão. Hoje, na Paraíba, existem
29 aldeias
potiguaras[2],
perfazendo acima de 13.500 índios
(2007) distribuídos nos municípios de Baía
da Traição,
Marcação e Rio Tinto. Existem, ainda, grupos remanescentes
no interior do Ceará.
Os índios tabajaras, "...
oriundos da bacia do Rio São Francisco, chegaram em
1584 após batalhas e perseguições sofridas
por aquelas bandas," cf José Octávio
de Arruda Mello em sua "História da Paraíba
- Lutas e Resistência". Os tabajaras tinham uma
certa experiência no convívio com os portugueses
desde quando, na Capitania da Bahia, lhes auxiliaram em lutas
e até mesmo na
captura de outros indígenas
para trabalhos forçados.
Mas era uma relação do tipo "um olho no
gato e outro no peixe" pois também tiveram muitos
da sua tribo capturados e mortos pelos "perós",
como os chamavam. Em 1585 entraram em desentendimento com
os potiguaras. O fato ensejou um acordo
do cacique Piragibe (Braço
de Peixe) com o capitão João Tavares, possibilitando
a união de forças que resultariam na derrota dos índios potiguaras e
a tomada do seu território. Ao se estabelecerem na região,
ocuparam todo o baixio da margem direita do Rio Sanhauá,
onde atualmente está
o bairro
da Ilha
do Bispo. Hoje, na Paraíba,
encontram-se alguns descendentes em grupos sem qualquer identidade
nos municípios
de Alhandra, Conde, Gramame e Santa Rita.
Os índios tarairiús se
agrupavam em 22 grandes tribos no interior do Ceará, Rio
Grande do Norte e Paraíba. Segundo José Elias Borges
Barbosa (professor da UFPB e membro do IHGP), "...para
a conquista do sertão os portugueses foram invadindo as
terras ocupadas pelos tarairiús. A guerra contra os tarairiús
começou nos anos 1630 e se estendeu até 1730, uma
guerra de cem anos. Foi a maior guerra indígena do Brasil.
Como eles estiveram ao lado dos holandeses nas batalhas contra
os portugueses foram praticamente execrados, considerados selvagens
e foram desprezados." Que se saiba, existem, ainda,
cerca de 3.000 índios tarairiús em Pernambuco,
na serra de Ororubá, próximo
a Pesqueira, com o nome de Xucurus. São remanescentes
das tribos da Paraíba
e Rio Grande do Norte.
NOTAS
[1]
O nome Paraíba vem do tupi par'a'iwa e
significa rio de águas ruins.
[2]
Além dessas aldeias existem outros povoados que
não possuem representantes e são representados
pelo líder da aldeia mais próxima.
Para saber mais sobre os potiguaras da Paraíba veja...
BIBLIOGRAFIA:
BORGES, José Elias
- Indígenas
da Paraíba
João Pessoa.Sec.Educ.Cultura.1984
MELLO,
José Octávio de Arruda - História
da Paraíba:
lutas e resistência
João Pessoa.A União.1994
MOONEN, Franz - Os índios potiguaras da
Paraíba
João Pessoa.NUPPO/UFPB.1982

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