NOVOS ARES DE PROVÍNCIA
O século XIX presenteou-nos com a corrida
para a industrialização verificada em terras européias,
gerando um aumento desenfreado da população nas
grandes cidades e, em consequência, sintomas
como o crescente aumento de doenças e epidemias decorrentes
da falta de estrutura sanitária então vigente nas
grandes metrópoles.
A partir de então, os governos passaram a adotar políticas
visando a higiene e a prevenção de doenças.
Com a vinda de D. João VI e sua corte para
o Brasil (1808-1821) a colônia se descobriu séde
do império e
viveu sensíveis modificações nos aspectos
administrativo e social. O interesse do imperador em melhorar
a qualidade de vida para si e sua corte respingava nos provincianos
que frequentavam a cidade do Rio de Janeiro, capital do império,
os quais levavam às suas regiões uma visão
de modernidade antes não
vivenciada.
Assim, já em 1830 a Câmara da cidade de Parahyba
esboçava um código de normas para uso do espaço
urbano e a conduta das pessoas, cuidando para a pintura das casas
com cal, a limpeza dos terrenos, das fontes e a remoção
do lixo das ruas.
Em 1838 o Lyceu Paraibano contava
com 120 alunos e ensinava latim, francês, retórica,
geometria, filosofia racional e moral. Em sua fala à Assembléia
o Dr. Joaquim Peixoto
D'Albuquerque, Presidente da Província, solicitava
a "criação de aulas de comércio na
qual fosse ensinada a escrituração
por partidas dobradas, câmbio, seguro, pesos e medidas".[1] Sua
idéia de uma academia de comércio seria
concretizada 84 anos depois graças aos esforços
do jornalista e educador Coriolano de Medeiros.
Em 1841 o
jornal A Regeneração publicou
um expediente do Presidente da Província ordenando
a Tesouraria da Fazenda a "pagar o aluguel de duas carroças
para carregamento do lixo das ruas e autorizando o Chefe de Polícia
a utilizar os presos da cadeia no serviço de limpeza das
ruas da capital" [2].
Em 1854 a má remuneração
dos professores de instrução primária,
contratados sem a precisa habilitação, já preocupava
o Presidente da Província que propunha à Assembléia
um novo concurso, com consequente majoração salarial
para os que lograssem sucesso e jubilamento para os que não
fossem aproveitados[3].
Ainda em 1854 o jovem Pedro Américo
de Figueiredo e Melo, natural de Areia no interior da província,
então
com 12 anos e já reconhecido como exímio desenhista,
foi convidado pela
Casa
Imperial para
viajar ao Rio
de Janeiro onde,
por ordem expressa do Imperador D. Pedro II, foi matriculado
na Academia Nacional de Belas Artes. A
cultura brasileira ganhou muito com esse gesto do Imperador.
NOTAS
[1]
Fala do Presidente da Província da Parahiba
do Norte à Assembléia
Provincial no dia 24 de junho de 1838; "Center
for Research Libraries" (http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u492/000002.html)
acesso em 26/12/10
[2]
Documento do Palácio do Governo da Paraíba, datado de 23 de novembro
de 1841, acervo do Arquivo Histórico do Estado da Paraíba, citado
por Doralice Sátyro Maia em "Uma cidade em (re)construção
: A cidade de Parahyba no século XIX" (http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-218-38.htm)
acesso em 13/11/09
[3]
Fala do Presidente da Província da Parahiba do Norte à Assembléia
Provincial no dia 05 de maio de 1854; "Center for
Research Libraries" (http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/581/000002.html)
acesso em 18/01/11
BIBLIOGRAFIA:
OLIVEIRA, Elza Regis - A Paraíba na
crise do século XVIII: subordinação
e autonomia (1755-1799)
Fortaleza: BNB/ ETENE, 1985.
HOLANDA, Sérgio Buarque de -
Raízes do Brasil
26ª Edição,São Paulo,Companhia das
Letras,1995

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