Em ordem alfabética,
estão
relacionadas pessoas que participaram de fatos marcantes na história
da cidade de João Pessoa ou que, de alguma forma, contribuíram
para o seu engrandecimento.
André Vidal
de Negreiros
Ariano Vilar Suassuna
Antônio Borges da Fonseca
Epitácio Lindolpho S. Pessoa
João Pessoa C.
de Albuquerque
João R. Coriolano
de Meideiros
Luiz Ferreira Maciel Pinheiro
Lopo Curado Garro
Napoleão Rodrigues Laureano
André Vidal
de Negreiros,
1606-1680:
o primeiro grande exemplo da combatividade paraibana
nasceu no Engenho São
João, nas cercanias da cidade de Filipéia de N.S.
das Neves. Aos 18 anos alistou-se para lutar contra os holandeses
na Bahia (1624),
onde sua bravura o fez ser promovido a Alferes aos 19 anos. Após,
viveu 8 anos entre Portugal e Espanha, onde obteve
os títulos
de mestre-de-campo e comandante de terço (tropa). Voltando
ao Brasil, diante da iminente tomada da cidade de Filipéia
pelos holandeses (1634), insuflou os proprietários da várzea
do Rio Paraíba
a danificarem o maquinário dos
engenhos e
queimarem os canaviais para minimizar os ganhos dos invasores, iniciando
pelo engenho da própria família. Foi, segundo Varnhagen,
"o grande artífice da expulsão dos holandeses
de Pernambuco".
Durante o conflito, o rei D. João
IV tentou armistícios com os holandeses.
O valente André oficialmente aceitava os acordos mas,
oficiosamente, continuava os combates. Na ocasião,
declarou ser preferível
subestimar as ordens do rei e ser castigado a compactuar com os
invasores.
Em 1654 os holandeses foram finalmente derrotados e Negreiros, em
reconhecimento pelos feitos como "Mestre-de-Campo" nas
duas batalhas dos Montes Guararapes, foi nomeado
pela Coroa Portuguesa para governar, sucessivamente, as capitanias
do Maranhão, Pernambuco, Estado de Angola e, novamente, Pernambuco.
Faleceu na Vila de Goiana, Capitania de Pernambuco. Em
testamento, dividiu suas terras e propriedades entre seus serviçais
e escravos.
Ariano Vilar Suassuna,
1927
O escritor e dramaturgo nasceu na cidade da Parahyba, capital
do estado, filho de Rita Vilar e João Suassuna que, àquela época,
cumpria o mandato de Presidente do Estado. A partir do assassinato
do seu
pai em 1930, por motivos
políticos, toda a família foi residir em Taperoá,
cariri paraibano, onde Ariano
viveu boa parte da sua infância e teve os primeiros contatos
com a cultura popular. A magia do teatro de mamulengos
e a profusão cênica insinuada pelo imaginário
dos cantadores de viola são
a fonte dos seus escritos, entre os quais "O Auto da Compadecida",
peça reconhecida e encenada em todo o Brasil e posteriormente
adaptada para o cinema e televisão. Ariano Inspirou a criação
do Movimento Armorial, o qual visa o incremento do interesse
pela música,
literatura, teatro, gravura, cinema, cerâmica,
dança,
pintura, escultura, tapeçaria e arquitetura nordestinas.
Ariano, além de advogado, é membro da Academia Brasileira
de Letras e também
da Academia Paraibana de Letras, tendo se aposentado em
1994 como professor pela Universidade Federal de Pernambuco.
Antônio
Borges da Fonseca, 1808-1862:
paraibano de Campina Grande, é tido como o primeiro
jornalista paraibano ao fundar, aos 20 anos, o jornal "A
Gazeta Paraibana". Junto com Joaquim Nabuco foi uma referência
nacional contra o monarquismo. Lutou incansalvelmente contra
o Império,
razão
pela qual era conhecido como "o inimigo do Rei", defendendo
a autonomia das províncias
nos 25 jornais que fundou e redigiu na Paraíba, Pernambuco
e Rio de Janeiro. Participou ativamente do movimento de 6 de
abril de 1831, que terminou com a abdicação
de dom Pedro I na madrugada seguinte. Foi preso muitas vezes
em razão dos
seus ideais. Participou de vários movimentos ocorridos
em Pernambuco na segunda metade do século
XIX, sendo um expoente da Revolução Praieira, ocasião
em que redigiu o famoso "Manifesto ao Mundo" onde, entre
outros ítens, exigia
o voto livre e universal do povo brasileiro, a plena liberdade
de comunicar os pensamentos pela imprensa e o trabalho como
garantia de vida para o cidadão brasileiro.
Certa feita, enquanto os praieiros estiveram no poder (1845-1848),
Fonseca entrou no
bairro
Santo
Antônio
em meio a uma artilharia pesada de 400 homens
em luta, subiu num
chafariz
e bradou em prol das forças do governo revolucionário.
Ele saiu ileso do tiroteio. Ocasionalmente não teve constrangimento
em divergir dos correligionários, acusando-os de traição
aos ideais revolucionários e servilidade à Coroa,
denunciando tudo o que considerava incorreto ou desonesto. Toda a
sua vida foi dedicada à luta em benefício do povo.
Epitácio Lindolpho
da Silva Pessoa Nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, em
23 de maio de 1865. Advogado e professor pela Faculdade de Direito
do Recife, aos vinte e cinco anos de idade revelou-se grande jurista
como deputado
da
Constituinte
de
1890.
Foi deputado federal em duas oportunidades, ministro
da Justiça e
Presidente do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República,
três vezes senador e chefiou a delegação
brasileira junto à Conferência de Versalhes.
Como 12° Presidente da República (1919-1922) e primeiro
nordestino nesse cargo, entre suas obras mais importantes citam-se
os 1000 km de estrada de
ferro
no sul
do país e a estrutura criada para enfrentar as secas nordestinas,
através de mais de 200 açudes construídos.
Enfrentou ferrenha oposição no círculo militar
ao nomear um civil, o historiador Pandiá Calógeras,
como Ministro da Guerra. Ao deixar a presidência
foi eleito ministro da Corte Permanente de Justiça
Internacional de Haia, na Holanda, exercendo o mandato até nov/1930.
Senador pela Paraíba (1924-1930), preocupou-se sensivelmente
com as pressões sofridas pelo sobrinho João Pessoa
à frente do governo da Paraíba, cujo assassinato, em
julho de 1930, o abalou profundamente. A partir de
então,
abandonou progressivamente as atividades públicas. Como presidente
do Supremo Tribunal Federal, Presidente do Congresso e Presidente
da República, Epitácio foi o único brasileiro
a presidir os chamados Três Poderes Republicanos.
Cardíaco
e portador do Mal de Parkinson, faleceu em Petrópolis/RJ em
fevereiro de 1942.
João
Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, em 24 de janeiro
de 1878. Era sobrinho de Epitácio Pessoa,
que foi presidente da República de 1919 a 1922.
Aos 16 anos entrou para o 27° Batalhão de Infantaria
da capital paraibana e no ano seguinte
ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Posteriormente foi excluído do Exército por incapacidade
física. Em 1903 concluiu o curso de Direito no Recife, ali
exercendo a profissão até 1910, quando passou a morar
no Rio de Janeiro. Por concurso público
trabalhou na Justiça Militar, sendo nomeado,
em 1918, auditor da Marinha e, em 1919, ministro do Supremo Tribunal
Militar. Por indicação do tio Epitácio Pessoa
foi candidato e efetivamente eleito em 1928 como presidente da Paraíba
pelo Partido Republicano, mas manteve seu domicílio eleitoral no
Rio de Janeiro.
João Pessoa combateu a sonegação
de impostos e o mau uso do dinheiro público; restaurou a
economia paraibana através de incentivos à agricultura
e a indústria;
instituiu impostos sobre o comércio entre o interior do estado
e o vizinho estado de Pernambuco, visando alavancar a arrecadação
fiscal paraibana, o que lhe rendeu inimizades de oligarquias em todo
o estado, ocorrendo situações extremas como a rebelião
de Princesa Isabel, município
paraibano, reduto do ex-aliado José Pereira.
Em março
de 1930 foi candidato (derrotado) da Aliança Liberal à Vice–Presidência
da República, na chapa encabeçada
por Getúlio
Vargas em oposição ao Governo Federal. Em 10 de julho
de 1930 a polícia invadiu o escritório do advogado
João Dantas, seu
adversário político, e divulgou através do jornal
estatal "A União",
numa série de edições, cartas íntimas
do advogado e a escritora Anayde Beiriz. No dia 26 João Pessoa
foi morto por João Dantas
("sou
João Dantas, a quem muito humilhaste")
na Confeitaria Glória, na cidade do Recife. O ato foi transformado
em tragédia política e fez explodir o
movimento
revolucionário de 1930.
João
Rodrigues Coriolano de Meideiros (1875-1974)
Nasceu no sítio Várzea de Ovelha, atual município
de Santa Terezinha/PB. Em 1877, fugindo da seca, sua família
passou a residir em João Pessoa. Estudou no Lyceu Paraibano
e posteriormente cursou até o terceiro ano da Faculdade de
Direito de Olinda, em Pernambuco. Foi comerciário, comerciante,
educador, jornalista, poeta, ensaísta, historiador, romancista
e folclorista. Coriolano de Medeiros deu uma grande e valiosa contribuição à literatura
paraibana. Idealista, fundou um curso de matemática na Associação
dos Empregados do Comércio da Paraíba, o qual tornou-se
o embrião da futura Academia de Comércio Epitácio
Pessoa, oficialmente inaugurada em 1921. Coriolano foi sócio
fundador do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano
e mentor da instalação da Academia Paraibana de Letras,
em 1941, sendo seu primeiro presidente. Além de artigos para
vários jornais escreveu vários livros, entre eles o
Dicionário Corográfico do Estado da Paraíba,
em 1914. Encerrou sua carreira de docente em 1948, já sem
visão, na Escola Underwood em João Pessoa.
Lopo Curado Garro
“Lopo
Curado Garro é natural
da cidade da Parahyba e um dos três governadores da aclamação
da liberdade pernambucana naquela capitania, a natureza o ornou de
talento perspicaz
e de intrépido valor, com a espada e com a pena triunfou dos
inimigos da pátria, alcançando pelas suas proezas fama
perdurável e nome eterno” assim se expressou o
beneditino D. Domingos de Loreto Couto. Não se tem muito sobre
o grande capitão que liderou as tropas contra os holandeses,
expulsando-os da cidade de Filipéia em 1645. Lopo Garro foi
escolhido por João Fernandes Vieira e André Vidal
de Negreiros, entre os homens nobres, fiéis e destemidos
da paróquia, recebendo a patente de capitão, depois
elevado a Governador da Restauração e da capitania
da Paraíba,
juntamente com Jerônimo de Cadena e Francisco Gomes Moniz,
triunvirato que governou a capitania no período
1645-1655 cf
José Otávio Mello citando o pesquisador Eduardo Martins.
Em 23 de outubro de 1645 escreveu aos mestres de campo
André Vidal
de Negreiros e João Fernandes Vieira, governadores da liberdade
de Pernambuco, a “Breve, verdadeira e autêntica
Relação
das últimas tiranias que os pérfidos Olandezes usaram
com os moradores do Rio Grande". O texto é parte
do Valoroso Lucideno (p277) composto por Frei Manuel Calado
e editado
por Domingos Correia, em Lisboa, no ano de
1668.
Com esta carta, Lopo Curado Garro é tido como o primeiro
autor paraibano a ter seu trabalho publicado. Lopo Garro é o
patrono da Cadeira nº 08 do Instituto Histórico e Geográfico
Paraibano.
Luiz Ferreira Maciel Pinheiro,
1839-1889:
jornalista e poeta, abolicionista convicto
e republicano fervoroso, demonstrou a grandeza dos seus ideais
ao abandonar
o quarto ano de Direito para se alistar como voluntário
para lutar na Guerra do Paraguai (1864-1870). Sua bravura foi
cantada
em versos pelo poeta Castro Alves, que o chamava de "peregrino
audaz". Após a guerra terminou o curso, foi promotor
e juiz de direito. Seu idealismo e dignidade o fizeram renunciar à magistratura
em 1886 por sofrer perseguições como abolicionista
e republicano. Morreu
no Recife 6 dias antes de proclamada a república.
Napoleão Rodrigues Laureano,
1914-1951:
nascido em Natuba, município paraibano, diplomou-se
em medicina em 1943 e especializou-se em cirurgia do câncer
no antigo Serviço Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro.
Com consultório e domicílio em João Pessoa,
onde foi eleito vereador em 1949, licenciou-se da Câmara
pois descobriu estar com um câncer no maxilar e viajou aos
Estados Unidos tentando um tratamento que, naquela época, se mostrava
sem chances, porquanto o diagnóstico
lhe apontava poucos meses de vida. Sentindo a dificuldade para
a detecção e tratamento da doença no estado
da Paraíba, Napoleão encetou uma campanha para a
construção
de um hospital em João Pessoa. Com a doença lhe corroendo
o corpo - mas não os ânimos - conseguiu, por meio
de rádios e jornais de vários estados, arregimentar
multidões
em prol da campanha cujo discurso feito no Rio de Janeiro tornou-se
uma bandeira da luta pelo seu objetivo: "Ilustres Senhores, ninguém poderá duvidar
das minhas intenções, pois condenado como estou pela
medicina, nada pretendo para mim. Profissionalmente me faltarão
as forças necessárias para qualquer iniciativa. Assim,
não peço para mim, mas para meus patrícios, para
milhares de brasileiros que, pelo interior, são vítimas
do mesmo mal que me acometeu..."
A campanha concretizaria, através de doações,
a Fundação
Napoleão Laureano e o início das obras do hospital que leva seu
nome. Esse grande paraibano faleceu em maio de
1951, em tratamento no Rio de Janeiro. Graças à sua atitude humanista
criou-se uma nova consciência de apoio à luta contra o câncer
no Brasil. O Hospital
Napoleão Laureano continua sendo, ainda hoje, uma referência
nacional no tratamento do câncer.
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